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USP desenvolve método para identificar uso de drogas durante a gravidez

Processo usa primeiras fezes do recém-nascido e identifica uso de cocaína a partir da 12ª semana de gestação

03/11/2010 – 14:09

Uma pesquisa da USP de Ribeirão Preto desenvolveu um método para identificar se mães usaram cocaína e crack durante a gravidez por meio da análise do mecônio (primeiras fezes do recém-nascido).

O método consegue revelar o uso de entorpecentes a partir da 12ª semana de gravidez, o que amplia muito o tempo de verificação, uma vez que os exames atuais, que são feitos com o sangue do bebê, conseguem identificar o uso de droga até apenas quatro dias antes do parto.

“O mecônio acumula, a partir do quarto mês, todas as substâncias que a mãe ingere e passa para o bebê”, explica o professor da USP Bruno Spinoza de Martins.

De acordo com a pesquisadora Marcela Nogueira, uma das responsáveis pelo projeto, o novo exame pode ajudar a salvar bebês nos casos em que a mãe omite a dependência química.

O exame é feito a partir de uma amostra do mecônio, que é colocada num tubo e centrifugada para separar a parte líquida da sólida. Esta última é misturada com um solvente e depois colocada em um aparelho chamado cromatoforo, que separa e detecta as substâncias químicas em diversas amostras. A quantidade de cada substância é transformada em um gráfico no computador. O processo dura em torno de cinco horas.

A pesquisa utilizou 20 amostras de bebês nascidos no Hospital das Clínicas (HC), de Ribeirão Preto, em 2009. Em nove casos, as mães tinham declarado já ter usado a droga, seis delas, durante a gravidez. Em três das amostras havia cocaína e em uma também crack.

O estudo também revelou que algumas mães omitem a dependência. Onze grávidas disseram que nunca tinham consumido droga, mas o exame apontou a presença de cocaína nos bebês de três mulheres desse grupo.

Dados de pesquisas anteriores do HC apontam que entre 4,5% e 6% dos nascidos no hospital são filhos de usuárias de drogas.

O método já foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, após a publicação em revistas científicas, poderá ser implantado por prefeituras e pelos governos estadual ou federal.

Problemas para a vida toda

O uso de drogas durante a gestação pode causar sérios problemas ao bebê e que podem perdurar por toda a vida, mas, com medo de represálias, muitas mães usuárias de drogas não contam o fato para o médico, o que dificulta o diagnóstico de doenças no bebê e o seu tratamento.

As crianças filhas de mães usuárias de drogas podem ter sequelas como hiperatividade, irritabilidade e problemas respiratórios. Também podem sofrer síndrome de abstinência, que causa choro intenso, irritabilidade – o médico mal pode mexer na criança -, tremores e dificuldade para mamar.

De acordo com o médico geneticista João Monteiro de Pina Neto, a droga mais nociva para o bebê é o álcool, que também é uma das mais consumidas. “Levantamento do HC mostra que de 8% a 30% das gestantes estão usando álcool em limites nocivos”, afirma o médico.

A partir de 14 gramas diários – duas latinhas de cerveja, dois cálices de vinho ou duas doses de destilados – há prejuízos para a formação do bebê. O mesmo ocorre para um grande consumo isolado. “A mãe pode não beber diariamente, mas não sabendo que está grávida, vai para a balada e toma 15 latinhas de cerveja, e o efeito é muito prejudicial à criança”, afirma Pina Neto.

O período crítico ocorre nos primeiros 50 dias de gravidez. “O álcool entra no sangue da criança e vai para o fígado, que não estando preparado para metabolizá-lo passa a substância para os tecidos, principalmente para sistema nervoso central e as lesões são irreversíveis”, explica o médico.

fonte : EPTV

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